quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Aos poucos vão regressando ao cais"

Rogério da Costa Rodrigues, ex-Aluno da "Fragata" nos anos de 1959-1962
Costuma dizer-se que a "conversa é como as cerejas". Atrás de uma conversa sucedem-se outras, entrando-se por vezes num diálogo sem fim à vista. Com os "Fragatas" a coisa parece correr de igual forma, dado que quando um "dá à costa" de seguida aparecem outros tantos. Foi o caso do Rogério da Costa Rodrigues (na foto) que recentemente veio engrossar as nossas fileiras, tendo contactado comigo depois de tanta pesquisa para encontrar algo sobre a "Fragata" e finalmente encontrar o nosso blogue na Internet.
De imediato entrei em contacto telefónico com ele, encetando um diálogo bastante interessante à mistura com um pequena história que me contou (de entre outras tantas que diz ter para contar).
Recebi também, por intermédio do Quintino, o contacto de um outro ex-Aluno, o Manuel José Santos António (mais conhecido por "Manta Rota") do qual ainda não tenho foto sua. Adianto no entanto que foi Sargento Mor na Marinha de Guerra, encontrando-se neste momento na situação de reformado, aliás, como quase todos nós nesta fase da "nossa longa juventude".
Ambos os contactos já estão introduzidos na listagem, para que algum ex-Aluno que tivesse convivido com eles mais de perto os possa contactar, e recordar alguns momentos vividos naquela "Velha Nau" de quem todos nós nos sentimos "órfãos". A todos eles e aos seus familiares, lá os esperamos a bordo da "Fragata" no dia 02 de Abril de 2011, para mais um dia de encontro e de confraternização.
Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mais um Fragata que "deu à costa"

Vitor Manuel Gomes Santos, ex-Aluno nº 29 ("Albufeira"). Tirada no Corpo Santo, antes de a "Fragata" arder em 03 de Abril de 1963. Lisboa 1962
Nesta fotos estão o "Moçambique", o Luís e o Vitor Santos ("Albufeira") Setúbal 1963.
De pé, da esquerda para a direita: "Maria Alice", Rocha, Zé António ("115"), Leirosa, Algarvio?, Porto Dário e Luís. Em baixo, da esquerda para direita: Tó Russo, Zezinho, "Moçambique", Nazareno e Vitor Santos (Albufeira). Equipa que defrontou a Casa do Gaiato de Setúbal no ano de 1963.
Cartão de participante no Torneio Popular de Futebol de Salão, organizado pelo Vitória Futebol Clube (Setúbal) no ano de 1963. Setúbal 1963.

Tinha eu acabado de colocar no blogue as fotos do José Manuel Quintino Pereira ("Albufeira") quando recebi um mail do Vitor Manuel Gomes Santos, ex-Aluno nº 29 da "Fragata" (também ele de alcunha o "Albufeira") que teve a gentileza de me enviar fotos suas, algumas delas verdadeiras "relíquias, que decerto irão enriquecer o nosso arquivo e acrescentar algo mais à nossa história que todos estamos a tentar reconstruir.
Em conversa telefónica com ele, disse-me que sabe do paradeiro de outros ex-Alunos e que em breve me enviará os seus contactos, que irão engrossar a já vasta listagem que vemos "crescer" todos os dias.
Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Aos poucos os "Fragatas" vão aparecendo

José Manuel Quintino Pereira ("Albufeira", ex-Aluno nº 454) 1961
Da esquerda para a direita: "Monção" José Manuel Quintino, Simão e Floriano. Terreiro do Paço. Lisboa 1961

Recebi hoje mesmo correspondência do José Manuel Quintino Pereira (ex-Aluno nº 454), mais conhecido pelo "Albufeira" que me enviou duas fotos para colocar nestas páginas. Uma delas é uma foto sua (tipo passe) tirada em 1961, e uma outra onde ele está na companhia do "Monção" (de quem não se sabe do seu paradeiro) do Simão e do Floriano, tirada no Terreiro do Paço (Lisboa) em 1961.
Se por acaso algum ex-Aluno estiver a pesquisar na net e abrir este blogue, agradecia que nos contactasse enviando os seus contactos, dado que estamos prestes a anunciar a realização do IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória que se irá realizar a bordo da "Fragata" no dia 02 de Abril de 2011, no sentido de também poderem receber a convocatória que irá ser enviada para todos no final deste mês de Janeiro.
Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Fotos com história

Familiares de alunos de visita à "Fragata", posam para a foto. 1956.
Bilhete de Identidade de José Moreira Alves ("Gorila") aluno nº 182 da Fragata D. Fernando II e Glória. 1955-1956.
O Almirante Nuno Brion oferece uma caneta ao aluno nº 241, Fernando Jorge Assis Cláudio ("Pedrada") a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória. Natal de 1961

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Em nome de todos nós"

Companheiros e amigos
Em nome de todos nós e dos que não estão presentes nas fotos, envio-vos o texto do e-mail que tomei a liberdade de enviar aos autores do blogue “Escola de Fuzileiros”, respondendo desta forma a um artigo seu ali publicado, onde classificavam todos os ex-alunos da “Fragata” de corrécios, conforme texto que se reproduz em baixo.
Um abraço a todos
Carlos Vardasca


Caros amigos
Por casualidade, li o vosso blogue, e encontrei lá este texto se segue em sublinhado em baixo, e que só pode ter sido escrito por pessoas mal formadas e desconhecedoras da realidade social que se vivia naquela época, ao pretenderem generalizar comportamentos que só podem existir em mentes mal intencionadas.

(…) A Fragata D. Fernando II e Glória era uma casa de correcção. Por isso se chamavam correços (ou corrécios) aqueles que lá eram internados para serem educados e perderem os vícios e maus hábitos da adolescência. Ás vezes isso acontecia. Mas muitas vezes acontecia também que putos inocentes iam lá parar e de lá saíam piores do que tinham entrado. São as contingências da vida. No grupo de voluntários que fizeram a recruta comigo havia três destes rapazes que escolheram alistar-se na Marinha de Guerra para poder dizer adeus à Fragata. Todos eles foram comigo para Moçambique e se tornaram grandes amigos meus. Dos três em questão quis a sorte que ainda só tivesse conseguido reencontrar um deles, o Valter. Dos outros dois, um vive em Albufeira e o outro no Canadá. Um dia destes voltarei a reencontrá-los também, é tudo uma questão de tempo.
Alguns anos mais tarde a Fragata pegou fogo e ardeu até ao casco. Disseram, nessa altura, as más línguas que foram os putos, lá internados, que lhe chegaram fogo para se verem livres do cativeiro, a meio do Tejo. Seria? (...)
Publicada por TINTINAINE em
11:48

Em nome de todos os ex-Alunos da "Fragata", gostaria de clarificar e rectificar algumas questões.
1. A “Fragata” não era nenhuma casa de correcção mas sim uma Instituição denominada “Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória, que recebia crianças oriundas de famílias extremamente carenciadas.
2. A exemplo da Casa Pia, (um dos melhores colégios do país, onde nem todos os alunos foram violados nem eram pedófilos) na “Fragata” dos vários alunos que ali foram internados, das mais variadas origens, é natural que o comportamento de alguns não fosse o mais correcto, o que aliás acontece na totalidade dos colégios espalhados por todo o país, tal como na Marinha, no exército, nas empresas, na sociedade em geral e até nas nossas famílias.
3. Tendo em conta a pobreza que grassava no país naquela época, praticamente a maioria dos seus alunos eram de famílias pobres e, por esse facto, ali os internaram para, por um lado, protegerem os seus filhos da miséria em que viviam, mas também para que ali recebessem uma instrução adequada e se tornarem homens úteis à sociedade, sociedade essa que os tinha marginalizado.
4. Na grande maioria dos ex-alunos da “Fragata”, para além daqueles que não conseguiram singrar na vida (que são muito poucos) podemos encontrar hoje (embora já reformados) excelentes, respeitáveis e competentes Oficiais da Marinha de Guerra, Comandantes da Marinha Mercante, 1ºs e 2ºs Oficiais de Máquinas da frota pesqueira do bacalhau, Chefes de Cozinha, Sociólogos, Advogados, Cozinheiros, Pedreiros etc., todos eles com uma profissão digna, útil, necessária e imprescindível à sociedade em que vivemos.
5. Como ex-aluno que fui da “Fragata”, orgulho-me de por lá ter passado e me terem facilitado a aprendizagem que recebi, tal como as “ferramentas” que ali adquiri e que me proporcionaram ser o homem que sou hoje.
6. Fui enviado para a “Fragata”, não porque fosse algum “corréçio” mas porque no colégio onde estava viram que já não evoluía mais nos estudos e tentaram “abrir-me novos horizontes”. O que de facto aconteceu. Fui de facto para a Marinha Mercante, depois para a Guerra Colonial
http://dotejoaorovuma-cabel.blogspot.com e voltei a estudar, tendo ingressado no ensino superior, mais concretamente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) no Curso de Sociologia do Trabalho.
7. Só por desconhecimento ou má intenção é que se diz “que foram os putos que deitaram fogo à “Fragata” para se “livrarem do cativeiro, a meio do Tejo”, o que só revela ignorância de quem o escreve, dado que ficou mais que provado que foi um operário que procedia à reparação na caldeira que provocou o incêndio.
Caros amigos. Por agora fico-me por aqui, aproveitando a oportunidade para vos pedir, se souberem do contacto de algum ex-aluno da “Fragata” que mo enviem, pois estou a recolher o máximo de contactos possíveis para a organização do IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória, a realizar no dia 02 de Abril de 2011, Encontro esse que se irá realizar a bordo da nossa “Velha NAU”, assim como, se o quiserem, consultem o nosso blogue
http://cestodagavea-cabel.blogspot.com
Um abraço
Carlos Vardasca
ex-Aluno nº 14
da Fragata D. Fernando II e Glória

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Fanfarra da "Fragata" em 1959

Quem se lembra destes tempos? Será que alguns de nós está nesta foto? De facto, olhando para a foto, recordo-me da feição da maioria deles mas do nome nem por isso. Dos poucos de que me recordo, vejo lá no meio o Cabo "Borracha" que orientava a Fanfarra. Tendo em conta o ano (1959), talvez não sejam eles mas parecem-me estar na foto o "Alcantarilha" e o "Russo", (possivelmente não serão) mas dos outros pouco mais sei. Seria interessante que alguém mais atento e com a memória mais fresquinha, se desse ao trabalho em se lembrar onde foi tirada a foto, assim como o nome de todos eles e me enviasse, para que esta foto (que é uma verdadeira relíquia) fique devidamente identificada.
Penso que não será um trabalho difícil, mas que será deveras desafiador e que vai exigir alguma perspicácia, lá isso vai.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Encontrámos mais um "Fragata"

Recordando o Passado
Estimado amigo. Como vai? Aqui, lhe mando a minha foto, e algumas lembranças do tempo que já lá vai.

Eu entrei para a Fragata no ano de 55, e saí em Fevereiro do ano de 57. Sempre e por onde andei, nunca tive receio nem vergonha de dizer que fui aluno da Fragata. Acontece, que numa viagem do navio Timor, para Angola (navio onde eu trabalhava) viajou um colega da Fragata.
Eu assim que o vi, dirigi-me a ele e disse-lhe; que tudo o que ele precisa-se eu estava às suas ordens! Disse-me: que não precisava de nada, virou-me as costas e até Luanda nunca mais me falou.
Deste navio, fui para o navio Funchal. Fazia-mos viagens para a Madeira e Açores e um dia ao chegarmos ao porto do Funchal, vejo o Timor atracado ao cais, e pensei logo em ir lá visitar os amigos que lá tinha. Quando lá fui deparei com um rapaz amigo, encarregado da terceira classe que me levou à secção onde se lavava a loiça e me apontou um colega nosso que tinha a alcunha do “Radar pequeno” visto ser pequeno, e seu irmão muito mais alto ser o “Radar grande”.
Ao ver o Radar reconheci-o logo, e ele nem me deixou dizer mais nada. Começou por dizer que nós nos conhecíamos de outros navios, pois ele nunca esteve na Fragata, e eu ajudei na mentira. Virei-me para o encarregado e disse-lhe:
― De facto não me lembro dele na Fragata mas se ele lá esteve, como eu, então comeu, dormiu, vestiu-se e instruiu-se na Fragata que por fim lhe arranjou um livrinho com o título “ Cédula de Inscrição Marítima” para ele poder governar a vida: ― Se ele desmente tudo isto então não presta e está a cuspir na Mãe que tanto o acarinhou. O “Radar pequeno” ficou todo encarnado.
Mais tarde soube que ele nesse navio, no porto de Leixões, tinha alugado com outros tripulantes um carro para irem à noite para a farra. Alta madrugada tiveram um acidente morrendo ele, e todos os colegas.
Muitos anos mais tarde, já eu era desenhador industrial na Sorefame, na Amora, fui destacado para ir aumentar e reparar a estação do amoníaco da Quimigal no Barreiro. A Sorefame deslocou para lá uma equipa de operários e técnicos. Entre os operários, ia um serralheiro, que teve um acidente grave (caiu-lhe, quando trabalhava na refinaria de Sines uma chapa de ferro na cabeça). Nunca ficou bom, era casado com uma senhora que já tinha um filho.
Morava no Monte de Caparica, perto do meu chefe. Um dia o meu chefe levou-me no carro dele e pelo caminho, foi lamentando a sorte desse serralheiro, dizendo que o enteado era muito mau: nem queria saber dele para nada: Às duas por três diz-me:
― Olhe! ― Ele é tão mau…tão mau, que até foi aluno da Fragata de D. Fernando. Eu aqui viro-me para ele, digo-lhe:
― Na Fragata havia alunos bons e maus como em todo o lado. Respondeu-me ele:
Nada disso, só iam para lá os corrécios.
O que é que você acha de mim? Disse-lhe:
Você não se compara com ele. É um excelente profissional, e toda a gente gosta de si …
Pois olhe, eu fui aluno da Fragata desde 55 a 57. O homem ficou para morrer.
Da Fragata, lembro-me que estávamos amarrados a uma bóia no Mar da Palha e um pouco afastada de nós estava também amarrada a uma bóia a Barca “Foz do Douro” que numa manhã ventosa, rebentou a amarra que a prendia à bóia e veio desgarrada atracar à Fragata.
Foi o fim do mundo, a rapaziada estava cheia de medo, mas pouco tempo depois, saltámos para dentro da Barca até que veio um reboque e a levou.
Do Pessoal, lembro-me do Tenente Vinagre, do Tenente Celestino, (que nós chamava-mos o “Pai Celeste”) e do Tenente Silva. Também me Lembro do Sargento José Gordo, do Sargento Almeida, do Sargento Platino (Mestre da Fragata) do Sargento Cardoso. Das praças, lembro-me do Cabo Paredes (com uma porção de condecorações) do Marinheiro Araújo, que dava instrução aos alunos que tocavam na fanfarra.
Claro que também me lembro do Padre Fatela que creio que morava em Almada.
Fez-me bem recordar o passado. Há muito tempo que não falava sobre a minha vida na Fragata.
Um abraço
Manuel João Carvalho Barrocas
Ex-Aluno nº 159 o “Pachachinha”
Fotos: Quando o Manuel João tocava num convívio para idosos e, em destaque, uma foto sua quando era aluno da Fragata D. Fernando II e Glóiria.