terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Aos poucos os "Fragatas" vão aparecendo

José Manuel Quintino Pereira ("Albufeira", ex-Aluno nº 454) 1961
Da esquerda para a direita: "Monção" José Manuel Quintino, Simão e Floriano. Terreiro do Paço. Lisboa 1961

Recebi hoje mesmo correspondência do José Manuel Quintino Pereira (ex-Aluno nº 454), mais conhecido pelo "Albufeira" que me enviou duas fotos para colocar nestas páginas. Uma delas é uma foto sua (tipo passe) tirada em 1961, e uma outra onde ele está na companhia do "Monção" (de quem não se sabe do seu paradeiro) do Simão e do Floriano, tirada no Terreiro do Paço (Lisboa) em 1961.
Se por acaso algum ex-Aluno estiver a pesquisar na net e abrir este blogue, agradecia que nos contactasse enviando os seus contactos, dado que estamos prestes a anunciar a realização do IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória que se irá realizar a bordo da "Fragata" no dia 02 de Abril de 2011, no sentido de também poderem receber a convocatória que irá ser enviada para todos no final deste mês de Janeiro.
Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Fotos com história

Familiares de alunos de visita à "Fragata", posam para a foto. 1956.
Bilhete de Identidade de José Moreira Alves ("Gorila") aluno nº 182 da Fragata D. Fernando II e Glória. 1955-1956.
O Almirante Nuno Brion oferece uma caneta ao aluno nº 241, Fernando Jorge Assis Cláudio ("Pedrada") a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória. Natal de 1961

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Em nome de todos nós"

Companheiros e amigos
Em nome de todos nós e dos que não estão presentes nas fotos, envio-vos o texto do e-mail que tomei a liberdade de enviar aos autores do blogue “Escola de Fuzileiros”, respondendo desta forma a um artigo seu ali publicado, onde classificavam todos os ex-alunos da “Fragata” de corrécios, conforme texto que se reproduz em baixo.
Um abraço a todos
Carlos Vardasca


Caros amigos
Por casualidade, li o vosso blogue, e encontrei lá este texto se segue em sublinhado em baixo, e que só pode ter sido escrito por pessoas mal formadas e desconhecedoras da realidade social que se vivia naquela época, ao pretenderem generalizar comportamentos que só podem existir em mentes mal intencionadas.

(…) A Fragata D. Fernando II e Glória era uma casa de correcção. Por isso se chamavam correços (ou corrécios) aqueles que lá eram internados para serem educados e perderem os vícios e maus hábitos da adolescência. Ás vezes isso acontecia. Mas muitas vezes acontecia também que putos inocentes iam lá parar e de lá saíam piores do que tinham entrado. São as contingências da vida. No grupo de voluntários que fizeram a recruta comigo havia três destes rapazes que escolheram alistar-se na Marinha de Guerra para poder dizer adeus à Fragata. Todos eles foram comigo para Moçambique e se tornaram grandes amigos meus. Dos três em questão quis a sorte que ainda só tivesse conseguido reencontrar um deles, o Valter. Dos outros dois, um vive em Albufeira e o outro no Canadá. Um dia destes voltarei a reencontrá-los também, é tudo uma questão de tempo.
Alguns anos mais tarde a Fragata pegou fogo e ardeu até ao casco. Disseram, nessa altura, as más línguas que foram os putos, lá internados, que lhe chegaram fogo para se verem livres do cativeiro, a meio do Tejo. Seria? (...)
Publicada por TINTINAINE em
11:48

Em nome de todos os ex-Alunos da "Fragata", gostaria de clarificar e rectificar algumas questões.
1. A “Fragata” não era nenhuma casa de correcção mas sim uma Instituição denominada “Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória, que recebia crianças oriundas de famílias extremamente carenciadas.
2. A exemplo da Casa Pia, (um dos melhores colégios do país, onde nem todos os alunos foram violados nem eram pedófilos) na “Fragata” dos vários alunos que ali foram internados, das mais variadas origens, é natural que o comportamento de alguns não fosse o mais correcto, o que aliás acontece na totalidade dos colégios espalhados por todo o país, tal como na Marinha, no exército, nas empresas, na sociedade em geral e até nas nossas famílias.
3. Tendo em conta a pobreza que grassava no país naquela época, praticamente a maioria dos seus alunos eram de famílias pobres e, por esse facto, ali os internaram para, por um lado, protegerem os seus filhos da miséria em que viviam, mas também para que ali recebessem uma instrução adequada e se tornarem homens úteis à sociedade, sociedade essa que os tinha marginalizado.
4. Na grande maioria dos ex-alunos da “Fragata”, para além daqueles que não conseguiram singrar na vida (que são muito poucos) podemos encontrar hoje (embora já reformados) excelentes, respeitáveis e competentes Oficiais da Marinha de Guerra, Comandantes da Marinha Mercante, 1ºs e 2ºs Oficiais de Máquinas da frota pesqueira do bacalhau, Chefes de Cozinha, Sociólogos, Advogados, Cozinheiros, Pedreiros etc., todos eles com uma profissão digna, útil, necessária e imprescindível à sociedade em que vivemos.
5. Como ex-aluno que fui da “Fragata”, orgulho-me de por lá ter passado e me terem facilitado a aprendizagem que recebi, tal como as “ferramentas” que ali adquiri e que me proporcionaram ser o homem que sou hoje.
6. Fui enviado para a “Fragata”, não porque fosse algum “corréçio” mas porque no colégio onde estava viram que já não evoluía mais nos estudos e tentaram “abrir-me novos horizontes”. O que de facto aconteceu. Fui de facto para a Marinha Mercante, depois para a Guerra Colonial
http://dotejoaorovuma-cabel.blogspot.com e voltei a estudar, tendo ingressado no ensino superior, mais concretamente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) no Curso de Sociologia do Trabalho.
7. Só por desconhecimento ou má intenção é que se diz “que foram os putos que deitaram fogo à “Fragata” para se “livrarem do cativeiro, a meio do Tejo”, o que só revela ignorância de quem o escreve, dado que ficou mais que provado que foi um operário que procedia à reparação na caldeira que provocou o incêndio.
Caros amigos. Por agora fico-me por aqui, aproveitando a oportunidade para vos pedir, se souberem do contacto de algum ex-aluno da “Fragata” que mo enviem, pois estou a recolher o máximo de contactos possíveis para a organização do IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória, a realizar no dia 02 de Abril de 2011, Encontro esse que se irá realizar a bordo da nossa “Velha NAU”, assim como, se o quiserem, consultem o nosso blogue
http://cestodagavea-cabel.blogspot.com
Um abraço
Carlos Vardasca
ex-Aluno nº 14
da Fragata D. Fernando II e Glória

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Fanfarra da "Fragata" em 1959

Quem se lembra destes tempos? Será que alguns de nós está nesta foto? De facto, olhando para a foto, recordo-me da feição da maioria deles mas do nome nem por isso. Dos poucos de que me recordo, vejo lá no meio o Cabo "Borracha" que orientava a Fanfarra. Tendo em conta o ano (1959), talvez não sejam eles mas parecem-me estar na foto o "Alcantarilha" e o "Russo", (possivelmente não serão) mas dos outros pouco mais sei. Seria interessante que alguém mais atento e com a memória mais fresquinha, se desse ao trabalho em se lembrar onde foi tirada a foto, assim como o nome de todos eles e me enviasse, para que esta foto (que é uma verdadeira relíquia) fique devidamente identificada.
Penso que não será um trabalho difícil, mas que será deveras desafiador e que vai exigir alguma perspicácia, lá isso vai.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Encontrámos mais um "Fragata"

Recordando o Passado
Estimado amigo. Como vai? Aqui, lhe mando a minha foto, e algumas lembranças do tempo que já lá vai.

Eu entrei para a Fragata no ano de 55, e saí em Fevereiro do ano de 57. Sempre e por onde andei, nunca tive receio nem vergonha de dizer que fui aluno da Fragata. Acontece, que numa viagem do navio Timor, para Angola (navio onde eu trabalhava) viajou um colega da Fragata.
Eu assim que o vi, dirigi-me a ele e disse-lhe; que tudo o que ele precisa-se eu estava às suas ordens! Disse-me: que não precisava de nada, virou-me as costas e até Luanda nunca mais me falou.
Deste navio, fui para o navio Funchal. Fazia-mos viagens para a Madeira e Açores e um dia ao chegarmos ao porto do Funchal, vejo o Timor atracado ao cais, e pensei logo em ir lá visitar os amigos que lá tinha. Quando lá fui deparei com um rapaz amigo, encarregado da terceira classe que me levou à secção onde se lavava a loiça e me apontou um colega nosso que tinha a alcunha do “Radar pequeno” visto ser pequeno, e seu irmão muito mais alto ser o “Radar grande”.
Ao ver o Radar reconheci-o logo, e ele nem me deixou dizer mais nada. Começou por dizer que nós nos conhecíamos de outros navios, pois ele nunca esteve na Fragata, e eu ajudei na mentira. Virei-me para o encarregado e disse-lhe:
― De facto não me lembro dele na Fragata mas se ele lá esteve, como eu, então comeu, dormiu, vestiu-se e instruiu-se na Fragata que por fim lhe arranjou um livrinho com o título “ Cédula de Inscrição Marítima” para ele poder governar a vida: ― Se ele desmente tudo isto então não presta e está a cuspir na Mãe que tanto o acarinhou. O “Radar pequeno” ficou todo encarnado.
Mais tarde soube que ele nesse navio, no porto de Leixões, tinha alugado com outros tripulantes um carro para irem à noite para a farra. Alta madrugada tiveram um acidente morrendo ele, e todos os colegas.
Muitos anos mais tarde, já eu era desenhador industrial na Sorefame, na Amora, fui destacado para ir aumentar e reparar a estação do amoníaco da Quimigal no Barreiro. A Sorefame deslocou para lá uma equipa de operários e técnicos. Entre os operários, ia um serralheiro, que teve um acidente grave (caiu-lhe, quando trabalhava na refinaria de Sines uma chapa de ferro na cabeça). Nunca ficou bom, era casado com uma senhora que já tinha um filho.
Morava no Monte de Caparica, perto do meu chefe. Um dia o meu chefe levou-me no carro dele e pelo caminho, foi lamentando a sorte desse serralheiro, dizendo que o enteado era muito mau: nem queria saber dele para nada: Às duas por três diz-me:
― Olhe! ― Ele é tão mau…tão mau, que até foi aluno da Fragata de D. Fernando. Eu aqui viro-me para ele, digo-lhe:
― Na Fragata havia alunos bons e maus como em todo o lado. Respondeu-me ele:
Nada disso, só iam para lá os corrécios.
O que é que você acha de mim? Disse-lhe:
Você não se compara com ele. É um excelente profissional, e toda a gente gosta de si …
Pois olhe, eu fui aluno da Fragata desde 55 a 57. O homem ficou para morrer.
Da Fragata, lembro-me que estávamos amarrados a uma bóia no Mar da Palha e um pouco afastada de nós estava também amarrada a uma bóia a Barca “Foz do Douro” que numa manhã ventosa, rebentou a amarra que a prendia à bóia e veio desgarrada atracar à Fragata.
Foi o fim do mundo, a rapaziada estava cheia de medo, mas pouco tempo depois, saltámos para dentro da Barca até que veio um reboque e a levou.
Do Pessoal, lembro-me do Tenente Vinagre, do Tenente Celestino, (que nós chamava-mos o “Pai Celeste”) e do Tenente Silva. Também me Lembro do Sargento José Gordo, do Sargento Almeida, do Sargento Platino (Mestre da Fragata) do Sargento Cardoso. Das praças, lembro-me do Cabo Paredes (com uma porção de condecorações) do Marinheiro Araújo, que dava instrução aos alunos que tocavam na fanfarra.
Claro que também me lembro do Padre Fatela que creio que morava em Almada.
Fez-me bem recordar o passado. Há muito tempo que não falava sobre a minha vida na Fragata.
Um abraço
Manuel João Carvalho Barrocas
Ex-Aluno nº 159 o “Pachachinha”
Fotos: Quando o Manuel João tocava num convívio para idosos e, em destaque, uma foto sua quando era aluno da Fragata D. Fernando II e Glóiria.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Um achado arqueológico da nossa Fragata"

No dia em que eu e o José Alves fomos reunir com o actual Comandante da Fragata D. Fernando II e Glória, para lhe propormos que o próximo Encontro dos Antigos Alunos fosse lá a bordo, durante a conversa que fomos mantendo com aquele oficial e em dado momento ele disse-nos ter uma surpresa para nos mostrar.
Mesmo antes da conversa terminar e estando ele ansioso (tal como nós) para nos mostrar e ficarmos a saber do que se tratava, qual não foi o nosso espanto quando o Sr. Comandante retira de um dos cantos do seu camarote uma pequena peça em madeira, um pouco queimada, que se assemelhava a uma porta e que escapara ao incêndio de que fora vítima a "Fragata" no dia 03 de Abril de 1963.
Possivelmente, tratar-se-à da porta de um sacrário associado à capela existente a bordo, que os Bombeiros Voluntários de Almada no dia do incêndio conseguiram retirar daqueles destroços e a levaram para o seu quartel.
Passados 47 anos daquela tragédia que nos deixou órfãos da "velha Nau", a citada Corporação de Bombeiros decidiu devolver aquele pequeno (mas importante) "achado arqueológico" às suas origens, entregando-o ao seu actual Comandante, o Capitão de Mar e Guerra, José António de Oliveira Rocha e Abreu.
Por não se saber até ao momento de que peça se trata e da sua verdadeira utilidade, será que algum de nós (os alunos mais antigos) ainda se lembra de onde pertencia aquela peça e nos possa esclarecer a que recanto da "Fragata" pertencia?
É um desafio que proponho a todos vós, que tem como único objectivo contar um pouco da história da nossa "Fragata", afinal aquela "velha Nau" que nos viu crescer e onde nos fizemos homens.
Carlos Vardasca
(Braz, ex-aluno nº 14)
Foto: Pequena porta de madeira, retirada da "Fragata" no dia do seu incêndio em 03 de Abril de 1963.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Já está em marcha a organização do IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória

Com o objectivo de se começar já atempadamente a organizar o IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória, eu e o José Alves ("Gorila") deslocámo-nos na passada Segunda-feira, dia 25 de Outubro de 2010, ao antigo Estaleiro da Parry & Son, doca nº 2 (onde está a nossa "Fragata" atracada) para reunirmos com o seu comandante, o Capitão de Mar e Guerra José António de Oliveira Rocha e Abreu. Esta reunião já tinha sido solicitada há alguns dias mas, por motivos de agenda daquele oficial, apenas se pode concretizar na data já referenciada.
Tinha a finalidade desta reunião (e porque alguns ex-alunos manifestaram o interesse em que o próximo Encontro fosse a bordo da "Fragata") saber qual a disponibilidade do seu actual Comandante em ceder aquele espaço para tal fim.
Como já se esperava, fomos recebidos de uma forma muito afável por aquele oficial que também ficou entusiasmado com a ideia, disponibilizando-se de imediato (embora ainda seja muito cedo) a contactar um dos possíveis restaurantes que nesse dia nos irá fornecer o almoço, tendo em conta que a bordo não existem condições para qualquer tipo de confecção.
Durante a conversa (que foi bastante interessante) informou-nos da existência a bordo de uma lista de contactos (que já vinha dos outros Encontros organizados anteriormente) e que poderá completar a que existe actualmente em nosso poder, prometendo que a enviaria assim que tivesse oportunidade, assim como algumas fotos antigas, outros documentos referentes àquela Nau e artigos de opinião por si escritos e relacionados com a mesma, que decerto irão enriquecer este nosso espaço.
Na mesma reunião, forneceu-nos o endereço de um site por si criado e relacionado com a Fragata D. Fernando II e Glória, cujo endereço é o seguinte: http://dfernando.marinha.pt/ que contem imensa informação e outros dados importantes sobre a Nau de que actualmente é seu Comandante.
Sobre o próximo Encontro, e porque a "Fragata" ardeu em 03 de Abril de 1963, manifestámos a ideia de que o próximo Encontro se realizasse nesse dia, ficando agendado (provisoriamente) o dia 02 de Abril de 2011 (Sábado) tendo em conta que dia 03 é Domingo e que por regra todos nós queremos estar junto da nossa família.
Sobre esta questão da data do próximo Encontro e do mesmo se realizar a bordo da "Fragata", gostaríamos de saber a opinião de todos, para que exista um clima consensual entre os antigos Alunos, e começarmos desde já a organizar o mesmo tendo em conta essas mesmas opiniões.
No final da reunião, o Comandante da "Fragata" proporcionou-nos uma visita guiada aos mais diversos compartimentos da Nau, informando-nos sobre alguns aspectos da sua história e do dia a dia das tripulações na época quando ainda navegava.
Carlos Vardasca
(Braz, ex-aluno nº 14)
Foto 1: Eu e o José Alves junto do Comandante da "Fragata" (ao centro).
Foto 2: Tirada no convés no dia da reunião.