quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

"Na sapataria Gomitos". História de Aníbal Cabrita

Aníbal Cabrita em primeiro plano, na companhia do "Albufeira" e do João Coelho, por altura do V Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória, realizado no Bombarral no dia 2 de Junho de 2012.
Aníbal Cabrita. Ex-Aluno nº 229
 
Havia no meu tempo, a bordo da nossa  Fragata, o sapateiro, figura austera, com cara de poucos amigos, vendo-se no rosto uma acentuada cicatriz, dizia-se que fruto de uma antiga rixa do seu tempo de juventude.
Era hábito então a bordo usarmos aqueles "sapatinhos" com os quais viemos ao mundo, porque os outros, os verdadeiros, esses serviam apenas para as saídas; acontecia porém que durante o inverno e principalmente nos dias chuvosos os mais friorentos tomavam a "liberdade" de os calçar, coisa que irritava grandemente o nosso amigo sapateiro, uma vez que o uso continuado dos sapatos significava mais trabalho para ele.
Quando isso acontecia, o homem protestava, praguejava, ameaçava, vociferava e sei lá que mais.
Lembro-me ainda daquela pequena porção de sabão que nos era distribuída, creio que uma vez por semana, para a lavagem da roupa e higiene pessoal, "mordomias" a que alguns dos nossos camaradas pouco habituados consideravam um desperdício de tempo, e que por isso iam acumulando nos seus cacifos  um considerável "pé de meia" daquele precioso bem.
O sapateiro ao se aperceber de que uma parte da rapaziada era "alérgica" ao uso do sabão e que o mesmo se acumulava inutilmente nos cacifos, logo tratou de iniciar uma "pedinchice" a que alguns iam cedendo, e assim  conseguia delapidar os mais incautos.
Não sei o que me passou pela cabeça  na altura,  lembrei-me então de fazer uma sátira ao sapateiro em forma de versos e cantá-los numa daquelas peregrinações a Fátima organizadas pelo padre Fatela capelão de bordo.
O sucesso foi grande e logo a notícia se propagou, chegando ao conhecimento do sapateiro; o pior foi o que sucedeu a seguir. O sapateiro ao chegar a bordo apresentou queixa ao tenente Vinagre, só que trocou os números e em vez de se queixar do 229 queixou-se do 219 de alcunha o "Bicho Mole".
Quando o tenente confrontou o "Bicho Mole" com o assunto, o pobre do rapaz  sem perceber patavina do que se estava a passar, quedou-se estupefacto a olhar para o tenente que imediatamente se apercebeu que dali poderia surgir tudo menos sátiras ao sapateiro, e tratou de correr com os dois do seu gabinete.
Eu que assisti a tudo a partir do camarote do Mestre Dias, o "Serradura", vi o sapateiro sair praguejando, e durante algum tempo vivi receoso de que ele viesse a descobrir o verdadeiro autor dos versos, porque o homem não era propriamente para brincadeiras.
Embora toscos, aqui vão os versos que me valeram na altura ser chamado de poeta.

É na sapataria Gomitos
Que se fazem os sapatitos
P'rós alunos da Fragata,
É com cada disparate
Que sempre que calço um sapato
Nasce-me no pé uma batata.

Quando os meus sapatos arranjou
O Gomitos não me poupou
E arranjou-os com sola grossa.
Quando um sapato descalcei,
Muito espantado fiquei,
Tinha no pé uma mossa.

Ora disso lhe fui falar
Coxeando e a chorar
Ele respondeu-me então.
P'rós sapatos bem arranjados,
Vocês estão informados
Quero que tragam sabão

Desde aí então
Tenho juntado muito sabão
E levado ao sapateiro;
Mas para isso chego a  andar
Com a roupa por lavar
Por vezes o mês inteiro.

Os meus  sapatos
O sapateiro para fazê-los
Copiou os últimos modelos
Dos habitantes da lua,
Vejam se não tenho razão,
É com cada sapatão
Que mais parece uma falua.

Nota: Gomes, era o nome do sapateiro, daí o diminuitivo "Gomitos".
Falua, era o nome dado às embarcações que faziam o transporte de mercadorias entre as duas margens do Tejo.

A lua, era na altura muito falada e cantada, era uma incógnita pois o homem não tinha ainda chegado lá.

Aníbal Cabrita
ex-Aluno nº229
(1956-1959)

sábado, 8 de dezembro de 2012

Lembram-se do "Chiramaneco"?

 Joaquim Alves Rodrigues aos 12 anos de idade.
 
 Aos 12 anos ingressei na Fragata D. Fernando II e Glória e fui aluno da Fragata, desde Outubro de 1952 a Março de 1956. O meu primeiro número foi o 170, depois mudei de número que agora não recordo, estava dentro dos  primeiros 20.
A minha alcunha na Fragata era o “Chiramaneco”.
Aos 16 anos ingressei na Armada, fui radarista e quando saí com 40 anos de idade, tinha o posto de cabo. Fiz duas comissões a África, S. Tomé e Príncipe e em Angola.
Com a Marinha tive o privilégio de conhecer vários países, outros povos e outras culturas.
Aos 40 anos de idade passei à reserva e aos 41, no regresso às origens, fui director desportivo do clube da terra vários anos, e por fim dediquei-me à vida autárquica durante 19 anos como executivo da Junta local (Lanhelas-Caminha) onde fui secretário da Junta de Lanhelas, e mais tarde Presidente da mesma Junta. No total servi a autarquia de Lanhelas durante 19 anos.
Desportivamente pratico ainda hoje ciclismo, tendo no ano de 2010 percorrido 10.500 Km.
O meu passado escolar foi igual ao de muitos jovens do meu tempo a quarta classe, aos 68 anos de idade e graças ao programa novas oportunidades concluí o ensino obrigatório, 12º ano.
Hoje com perto dos 73 anos, faço uma vida normalíssima e ainda pratico cicloturismo.
Gosto ainda de fazer poemas, sou casado há 49 anos.
Desportivamente; pratiquei natação, futebol (joguei no FC do Porto e S Tomé) tendo sido campeão de reservas naquela antiga colónia, fiz atletismo (não competição) na natação, para além de fazer percursos grandes, gostava muito de mergulhar.
O meu recorde em profundidade foi sete metros sem garrafa, aconteceu na Ilha do Príncipe (S. Tomé) marcado pela sonda da L/F Altair onde estava embarcado.
Como ciclista e já com 64 anos de idade iniciei a ligação entre a fronteira de S. Gregório e Vila Real de Santo António, era um sonho muito antigo que gostaria de realizar, todavia tal não chegou a concretizar-se devido a um acidente na Zona da Expo em Lisboa, fui abalroado pela retaguarda por um automóvel, este sonho terminou no início da minha quinta etapa que me levaria a Setúbal.
Para mais informação visitem a minha página do facebook (Joaquim Seixas).
A todos os fragatas um Bom Natal e muita saúde, espero estar presente na comemoração dos 50 anos do incêndio da nossa casa.
Passem bem, abraço

Joaquim Alves Rodrigues
(“Chiramaneco”)
Ex-Aluno nº 170, 1952-1956

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Finalmente encontrámos o "Russo", que já faz parte da "nossa tripulação"

 
 
 
Fotos do ex-aluno nº 103 (1962-1969) José Henrique Alves Moreira ("Russo")
 
"O que é prometido é devido". Acabei há pouco de falar com o "Russo" através do SKYPE. Este nosso amigo vive em Londres, para onde foi viver e trabalhar depois de ter regressado da Guerra Colonial em Angola. Estabelecemos uma conversa bastante agradável, onde recordámos muitos dos ex-alunos que connosco conviveram.
Disse estar bem de saúde embora tivesse anteriormente alguns problemas, mas que felizmente já diz ter ultrapassado, e que esteve em Portugal em Abril de 2011.
Perguntei-lhe se este ano vinha cá novamente, ao que respondeu que possivelmente virá, tendo eu adiantado que seria interessante ele vir, já que para o ano de 2013 se comemora o 50º Aniversário do  Incêndio da Fragata D. Fernando II e Glória.
Vamos decerto ter muitas oportunidades de falar com este nosso amigo, deixando aqui o seu contacto de correio electrónico na eventualidade de alguém o querer contactar: safarujo2000@yahoo.co.uk
Depois de uma conversa animada, despedimo-nos, enviando ele um abraço para todos os ex-alunos. Com a chegada do "Russo", a "nossa tripulação" continua a crescer.
 
Carlos Vardasca
(Braz) ex-aluno nº 14


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mais um encontro no "CID"

 Na foto estão o Artur ("Cão vadio"), Braz, João ("Saloio") e José Alves ("Gorila").
Restaurante o "CID". Lisboa 30 de Novembro de 2012
 
 Lá nos encontrámos de novo no  restaurante o "CID" no passado dia 30 de Novembro, numa rotina em que já nos vamos empenhando já há algum tempo. Desta vez estivemos muito desfalcados em presenças. O Augusto Gomes ("Torta") devido a um jeito que deu nas suas lides domésticas, o Joaquim ("Anão") por estar um pouco adoentado, o João Coelho e o Joel que por vezes lá vão desertando para outras paragens desta vez não marcaram presença.
Embora não houvessem certezas da sua presença, aguardávamos também a presença do Manuel Barrocas ("Pachachinha") que se tinha deslocado da sua terra cá para as bandas de Lisboa e que prometeu estar presente mas que, devido ao mau tempo e à sua "juventude um pouco avançada", possivelmente não lhe permitiu fazer-nos aquela visita por ele há muito desejada. Fica para a próxima.
Quero informar-vos também de que finalmente encontrámos mais um ex-Fragata que tinha "andado perdido" por terras de Inglaterra. Trata-se do José Moreira, mais conhecido pelo "Russo". Encontrámos aliás, ele é que entrou em contacto comigo por e-mail, e em breve irei falar com ele via SKYPE, para saber mais pormenores sobre por onde tem andado. Assim que souber mais informações informarei todos vós. Ele já me enviou algumas fotos suas, as quais irei editá-las amanhã para ver se ainda se lembram dele.
 
Carlos Vardasca
(Braz, ex-aluno nº 14)


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Notícias do Manuel Barrocas ("Pachachinha")


O Manuel Barrocas (em primeiro plano e de panamá a bordo da Fragata) no IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória
Manuel João Carvalho Barrocas ("Pachachinha") ex-aluno nº 159 de 1955-1957
 
Como vão os meus amigos e as vossas famílias? Eu vou um pouco atrapalhado com a saúde. em Agosto pesava 90 quilos, hoje peso 75 e continuo a perder peso. Vou fazer uns exames para ver o que se passa. Tive o meu computador avariado durante quase um mês e se está a funcionar  posso agradecer a um amigo da Força Aerea (filho do meu amigo que foi carpinteiro na Lisnave e que tem lá o mocho feito com madeira da Fragata) Levou-o lá para a Base e arranjou-o. A Associação de Solidariedade a que pertenço como diretor secretário foi assaltada roubaram um plasma e 140 euros rebentaram duas portas, comeram muitas bananas na cozinha e deram cabo da documentação que estava no escritório.
Não sei onde é que isto vai parar. Ontem foi o café cá da terra que recebeu a visita dos amigos do alheio. Forças policiais por aqui ...não aparecem.A minha aldeia está a ficar sem gente. Entre a semana passada e esta morreram 4 pessoas todas idosas, os jovens vão para fora. quando eu era miúdo a minha rua tinha cerca de 65 pessoas entre novos e velhos hoje tem 12 e quase todos velhos. Há muito trabalho de solidariedade para fazer nestas terras.O nosso telefone de noite fica no nosso quarto porque temos vários idosos que têm o nosso n.º e de noite se lhe acontecer alguma coisa ligam-nos e nós tomamos as devidas previdências.
Também tenho a internet ligada porque ao domingo vem cá a nossa casa uma velhota para falar com o filho que está nos states e outro está na frança. Outro liga-me do Rio de Janeiro Já cá não vem há muitos anos e sou eu que lhe dou notícias da nossa terra. Queríamos transformar a nossa Associação (centro de dia) num lar embora ela se situe noutra terra em Sta Cruz abrange uma série de terras à sua volta mas a Segurança Social e a Câmara cortaram tudo.Há aqui GENTE GRAUDA mas estão bem na vida e o resto não é com eles. temos de ser nós pequeninos a olharmos uns pelos outros.
Para o mês que vem lá irei até ao Monte de Caparica pode ser que nos possamos encontrar no CID.
Amigos um abraço com votos de muita saúde.

Manuel João Carvalho Barrocas
("Pachachinha")
ex-aluno nº 159
1955-1957
Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Fotos com história para recordar

A Fanfarra numa procissão em Setúbal, vendo-se em primeiro plano o Cabo Borracha
Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória a bordo de uma vedeta da Marinha de Guerra
A fanfarra da Fragata posa para a fotografia numa das suas várias saídas
Durante o pequeno almoço a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória antes do incêndio
Na foto estão o Cabo Paredes, "Cara D' Homem" e o "Sapateiro", que espreitam à entrada do portaló da Fragata D. Fernando II e Glória


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O nosso V Encontro Nacional na Revista da Armada

Revista da Armada nº 466. ano XLII de Agosto de 2012
(Clicar em cima do documento para o ampliar)