sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Finalmente encontrámos o "Tarzan"

O "Tarzan" (ou "Caminha") numa foto que ilustrava um artigo do "Correio da Manhã" de 08 de Junho de 2004, onde se relatava o seu percurso e as condições de vida muito precárias em que vivia naquele momento.
O "Tarzan" (assinalado com uma cruz na testa) a bordo da Fragata, na companhia do outros alunos. Em primeiro plano pode ver-se o Júlio Duarte ("Estudante").

Já há muito que perseguíamos este objectivo. Depois daquela notícia vinda no "Correio da Manhã", onde se descreviam as condições de vida muito precárias em que vivia este nosso companheiro, ex-Aluno da "Fragata", ficámos deveras preocupados, e onde foram efectuadas várias diligências para se saber do seu paradeiro.
Depois de tanta persistência, e sem sequer esperarmos por este "desenlace", ele também acabou, e de uma forma tão natural por "dar à costa" e finalmente juntar-se a esta "grande guarnição de ex-Alunos da Fragata, que para nossa grande satisfação vai crescendo todos os dias.
Hoje mesmo ele contactou comigo, respondendo a uma mensagem que lhe deixei no telemóvel. Ficou muito entusiasmado com a ideia da realização do Encontro dos Antigos Alunos, e até manifestou a intenção de contactar com outros quatro antigos alunos que diz conhecer o seu paradeiro (entre os quais diz estar aquele que ficou bastante queimado no incêndio da Fragata; e que nós pensamos ser o "Joãozinho").
Embora todos os ex-Alunos que vamos encontrando todos têm a mesma importância no reatar do seu contacto, o "Tarzan" ou "Caminha" conforme era conhecido o José Manuel Barbosa Lopes, reveste-se de especial importância para mim, porque no dia do incêndio da Fragata foi ele que se atirou às águas do Tejo e me salvou de morrer afogado. Por este gesto (igual a tantos outros efectuados por outros ex-alunos naquele dia trágico) há muito que lhe quero dar um grande abraço, o que estive impossibilitado de o fazer devido ao seu paradeiro ser desconhecido durante alguns anos e o seu contacto ser bastante difícil. Agora, que a sua vida parece felizmente já estar "reencaminhada" e ter finalmente "dado à costa", irei ter um imenso prazer em o abraçar, pois é a única forma que tenho para o recompensar por ter tido aquele gesto tão nobre e de certa forma heróico, e de ter contribuído para que, passados que são cerca de 50 anos eu continuar entre vós e o poder finalmente abraçar.

Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Pequenas histórias que o tempo não apaga"

Manuel João Carvalho Barrocas, ex-Aluno nº 159
Olá Amigo Carlos! Tudo bem? Mais uma notícia triste a morte do nosso camarada Silvino. Lembro-me bem dele. Era um colega muito vivo bom jogador de futebol no convés, um rapaz alegre. Fico passado com estas notícias... Mas que vamos fazer a vida é assim mesmo. Ás vezes ponho-me a pensar naquele tempo e lembro-me de coisas interessantes como esta: Haviam na Fragata muitos ratos e davam 2 decilitros de vinho (claro! Que como somos muito católicos o vinho era bem baptizado) a quem matasse um rato, e um dia no paiol dos cabos matei um, atei-lhe um cordel ao rabo e fui mostrá-lo ao Sargento Zé Gordo.
Ele tomou nota do meu número e mandou-me deitar o rato à água mas eu não fiz isso.
Levei-o para o paiol e dei-o ao Silvino, só que tirámos o cordel do rabo do rato e atámos-lhe ao pescoço e assim lá bebemos os dois o vinho. Outra coisa que me marcou muito e que creio nunca irei olvidar foi o seguinte: - Por causa dos ratos, um colega nosso de serviço de noite foi à cozinha e pegou fogo a um pouco de toucinho para ir pôr num canto, afim de apanhar um rato. Quando saiu da cozinha, o toucinho ia a arder mas também a pingar pingos incandescentes, que esse nosso colega começou a deixar cair na cara dos que estavam a dormir.
No dia seguinte, havia uma série de colegas nossos queimados na cara. Claro! Foi castigado mas de uma maneira pré histórica. Mandaram-nos formar e, à nossa frente, ataram-no a um pé de carneiro e despiram-lhe as calças e as cuecas. Depois do Comandante, o 1º Tenente Caldeira da Silva ter lido a sentença, todos os alunos graduados lhe deram duas chicotadas nos rabo... Uma barbaridade no meu entender. Os ratos eram tantos, que tivemos que ir para o Forte das Maias em Paço D'Arcos, onde já se encontravam os miúdos Húngaros refugiados de uma revolta que houve na Hungria, para se fazer uma desratização eficiente. Quando entrava para a Fragata um novo colega, era presente ao Tenente Silva que tinha um impedido que nós chamava-mos de "Algarvio".
Ao perguntar-lhe o nome dos pais e se o rapaz dissesse que era filho de pai incógnito, ele dizia para o "Algarvio":
- Põe aí, "filho de pai económico".
E já se matou mais um pouco de saudades.
Desculpe o tempo que lhe roubo. Um abraço para o meu amigo e outro para esse malandro do "Gorila".
Texto da autoria de Manuel João Carvalho Barrocas, ex-Aluno nº 159 (o "Pachachinha")

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória

É com imenso prazer que a Comissão Organizadora informa que já está em marcha o IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória, que se irá realizar no Sábado, dia 02 de Abril de 2011, com concentração pelas 11,30 horas junto ao Estaleiros da Parry & Son em Cacilhas.
De seguida, e depois da recepção aos antigos alunos e seus familiares, seguir-se-à um Almoço de Confraternização a bordo da "nossa Fragata", onde todos teremos a oportunidade de continuar o nosso convívio que se pretende fraterno e saudável, relembrando tempos idos, e estreitar laços de amizade com companheiros nossos que já não vemos há cerca de 50 anos e que entretanto e depois do nosso último Encontro em Setúbal foram "dando à costa", fazendo parte integrante da nossa listagem de contactos.
Para se saber mais pormenores sobre o evento e tornar mais visíveis os documentos, basta clicar em cima deles para os ampliar e poderem ser visualizados.
Aqui fica à vossa disposição o Cartaz/Programa do evento (que também vai ser enviado pelo correio para os ex-Alunos que têm endereço registado na listagem), agradecendo a todos os interessados em participar que devem desde já começar a enviar as suas inscrições (indicando o número de pessoas e se algum está a dieta), cujo prazo limite é até ao dia 15 de Março de 2011, podendo ser efectuadas para os vários contactos inscritos no cartaz.
Certos de que vai ser um dia inesquecível, aguardamos lá por todos.

Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

domingo, 30 de janeiro de 2011

"Mais um Fragata que já não está entre nós"

Na foto em destaque está o Silvino Conde Fidalgo com a idade de 21 anos, e a bordo da Fragata (em pé, de braços cruzados) na companhia de outros alunos.
Silvino Conde Fidalgo na Escola de Marinheiros em Vila Franca de Xira. Em baixo, em nono lugar a contar da esquerda.

Documento que certifica o Silvino Conde Fidalgo como um dos Mecenas que contribuiu para a reconstrução da Fragata D. Fernando II e Glória.

Silvino Conde Fidalgo com a esposa, a bordo da Fragata.

Silvino Conde Fidalgo foi aluno da Fragata D. Fernando II e Glória, tendo ingressado naquela instituição com apenas 12 anos de idade. Aos 15 anos de idade foi chamado por engano para a Marinha de Guerra e, quando deram pelo lapso e porque já estava incorporado, deixaram-no lá ficar, o que durou cerca de 15 anos.
Já incorporado nos Fuzileiros Navais, participa na Guerra Colonial em Moçambique nos anos de 1961-1963 e 1965-1968, tendo participado em operações de combate na zona do Lago Niassa.
De regresso da guerra, saiu da Marinha de Guerra e foi trabalhar na empresa UNILEVER, na Póvoa de Santa Iria onde esteve cerca de 16 anos.
Mais tarde, estabeleceu-se por conta própria na Nazaré, onde passou, por herança familiar, a gerir o empreendimento Vila Turística Conde Fidalgo até ao dia do seu falecimento com a idade de 66 anos, no dia 17 de Janeiro de 2008 por motivo de doença.
É de toda a justiça recordar que Silvino Conde Fidalgo, pelo grande amor e apreço que tinha pelos valores e pela educação que lhe foi ministrada a bordo daquela "velha NAU", como retribuição, foi também um dos Mecenas que em 1991 contribuiu e tornou possível a reconstrução da Fragata, que veio a visitar na companhia de toda a sua família.
Aqui fica esta pequena e singela homenagem a "Mais um Fragata que já não está entre nós".

Carlos Vardasca
(Braz. ex-Aluno nº 14)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Mais Putos da Fragata respondem à chamada"

Jaime Guerra no jardim em Setúbal (1971) e (em destaque) uma foto sua mais actual. Jaime Guerra junto de outros Alunos (o décimo a contar da esquerda), no edifício da "Fragata" em Setúbal.

Equipa da "Fragata". O António José Santos "Alcantarilha", segura a bola. Setúbal 1968. Equipa da "Fragata". António José Santos ("Alcantarilha") está em pé, e é o quinto a contar da esquerda, junto do guarda-redes (Nascimento, ex-aluno nº 98).
António José Santos "Alcantarilha", ex-Aluno nº 124)
O que é mais curioso nesta "odisseia", que visa reencontrar ex-alunos da "Fragata"que até agora têm andado em parte "incerta", que este entusiasmo não só mobilize as nossas "hostes" mas que mobilize outras gerações, que de uma forma ou de outra estão indirectamente ligados a esta causa.
É o caso do filho de um ex-Aluno que, navegando na Net, lá descobriu o "Cesto da Gávea", e de imediato foi avisar o pai da surpresa que tinha encontrado.
Estabelecido o contacto com este ex-Aluno, viemos a verificar que se tratava do Jaime Afonso de Castro Sales Guerra, ex-Aluno nº 237. que entrou na "Fragata" em 28 de Janeiro de 1966 e saiu em 18 de Janeiro de 1971, tendo ingressado na Marinha Mercante. Actualmente está reformado mas, segundo o filho, continua a trabalhar.
Nesta "Lingada", soubemos também do paradeiro do António José Santos, ex-Aluno nº 124, mais conhecido pelo "Alcantarilha", com quem já mantive contacto, enviando-lhe algumas fotografias, respondendo ao seu lamento, porque dizia ter muita pena de não ter nenhuma foto sua do tempo da "Fragata".
Por intermédio do Sidónio ("Alentejano", ex-Aluno nº 384) vim a saber do paradeiro do Luís Torres, ex-Aluno nº 318 (do qual ainda não tenho foto) que reside em Setúbal, que manifestou bastante entusiasmo em saber notícias nossas e estar pronto para participar no IV Encontro Nacional dos Antigos Alunos da Fragata D. Fernando II e Glória, a realizar no dia 02 de Abril de 2011 a bordo da nossa "Fragata".
Como se pode verificar, e contrariando as expectativas iniciais, os "Putos da Fragata" estão a responder à chamada, o que revela um desejo imenso em recordar um pouco da sua infância e juventude, mas também reencontrar "velhos amigos" que as circunstâncias da vida os separou.
Como é óbvio, todos eles já fazem parte da nossa listagem, e no final do mês também irão receber correspondência alusiva ao nosso Grande Encontro.

Carlos Vardasca
(Braz, ex-Aluno nº 14)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Derradeiro arriar da bandeira nacional a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória

(...) Exemplos de extraordinária coragem e de abnegação verificaram-se a cada instante entre os que procuravam combater o fogo que devorava a vetusta nau – símbolo da Armada Portuguesa, com uma brilhante folha de serviços que, através dos anos, manteve sempre em evidência as tradições navais lusitanas.
Todos os esforços, infelizmente, resultaram infrutíferos; as chamas haviam-se apossado do antigo e belo navio, inteiramente construído de madeira de Teca, oriunda de uma parcela da terra portuguesa da Índia – das matas de Nagar-Aveli.
Os estaleiros de Damão produziram a maravilhosa obra de arte de engenharia naval que era a Fragata “D. Fernando”, digna de figurar num museu.
Há mais de um século, a bandeira das quinas jamais deixou de tremular à popa do formoso barco. Foi ontem arriada pela última vez. E tal aconteceu quando o navio ardia intensamente e as labaredas que o envolviam de proa à ré ameaçavam também queimar o glorioso pavilhão verde rubro. O fogo não o atingiu mercê do denodo e coragem de cinco homens – dois valentes das lides do rio, os mestres dos rebocadores “ Serra da Arrábida” e “Cabo de Sines”, respectivamente srs. Manuel Santos e Armando Guerra Branco e três decididos Bombeiros da corporação de Almada, srs. Alcino Lino, Henrique Graça Marques e João Teixeira.
Enfrentando temerariamente as labaredas, que crepitavam de forma apavorante em altas línguas rubras, os cinco homens, sufocados pela densa fumarada, correram à popa da Fragata animados do único propósito de salvarem das chamas a bandeira nacional.
E conseguiram-no, a despeito de todas as dificuldades que se lhes depararam.
Foi com grande emoção que os Mestres dos referidos rebocadores desceram a adriça para recolher o pavilhão, enquanto os três Bombeiros, que os secundaram nesta valente acção, esquecendo o perigo que os ameaçava de perto, se perfilaram em continência, prestando a última guarda de honra ao arriar da Bandeira de Portugal a bordo da histórica nau “D. Fernando” (...)
(transcrição do Diário de Noticias de 4 de Abril de 1963)
Nota: Artigo gentilmente cedido pelo actual Comandante da Fragata D. Fernando II e Glória, o Comandante de Mar e Guerra (Fuzileiro) José António de Oliveira e Abreu.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Mais um "Fragata" entre nós

Por intermédio do "Albufeira", vim a saber de mais um contacto de um "Fragata", mais concretamente do Joaquim José Nunes Pina, ex-Aluno nº 384 e que tinha como alcunha o "Pêra". Como morava aqui bem próximo de mim, hoje mesmo me encontrei com ele e fiquei a saber um pouco mais da sua vida.
O Joaquim Pina entrou para a "Fragata" em Outubro de 1959 e saiu em 1963 antes daquela NAU ter ardido.
Foi para a Marinha Mercante (em Outubro de 1963) como Ajudante de Cozinha, tendo embarcado nos navios "Kuanza", "Beira" e "Império", de onde saiu para ir para a tropa, tendo participado na Guerra Colonial em Angola. Regressado da guerra ainda embarcou no navio "Príncipe Perfeito", para depois se inscrever numa Companhia Americana, a COTANDRE, vindo a embarcar em dois navios de passageiros daquela Companhia; o "FERCIA" e o "FARIND", tendo andado por lá cerca de 10 anos.
Posteriormente, e como o chamaram para a SOPANATA, veio a embarcar nos seguintes navios desta Companhia; "Marofa", "Marão", "Montemuro", "Sameiro", "São Mamede", "Neiva", "Niza" e "Nogueira" onde andou 12 anos.
Como esta Companhia acabou em Portugal por ter sido vendida aos americanos, o Joaquim Pina ainda fez um contrato a bordo do navio "Funchal" em cruzeiros pelo Mediterrâneo, indo mais tarde para uma empresa marítima de transporte de automóveis durante quatro meses.
Antes de se reformar, ainda trabalhou durante 1 ano na LUSOPONTE, numa grua na Ponte Vasco da Gama.
Aqui fica este breve apontamento deste nosso companheiro que agora já faz parte da nossa listagem, e que se manifestou bastante satisfeito por vir, finalmente, a reencontrar alguns daqueles que na "Fragata" com ele conviveram e se fizeram amigos.
Que seja também ele bem-vindo "à nossa família".